Memórias do Rio 2016 – Quinze dias entre o drama e a alegria
O Rio 2016 foi uma montanha russa de emoções pra mim. Tanto pelo ótimo, quanto pelo tenso

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Antes de falar especificamente dos Jogos de 2016, falarei de alguns momentos dessa caminhada no meio olímpico rumo ao evento. Quando o Rio de Janeiro foi escolhido para receber os Jogos, em 2009. Estava assistindo a escolha no Jornal Hoje, na TV Globo e fiquei muito feliz quando a capital fluminense foi anunciada como sede. Como todo louco pelos Jogos Olímpicos, já comecei a pensar em mil planos para ver in loco.
Agora passarei para 2011. Após a noite de Natal, na manhã do dia 26, decidi criar um blog voltado especificamente para falar de Jogos Olímpicos e pensando no nome, coloquei o sentimento que mais me atinge quando chegam os Jogos: fico surtado tentando ver tudo na tv e acompanhar de todos os jeitos. E surgiu o Surto Olímpico, que até hoje, quase 15 anos depois, milita no meio olímpico.
Chegamos em 2016, mas ainda no começo. Algo que pouca gente sabe, mas perdemos o prazo para solicitar a credencial para os Jogos. Mas graças a contatos, conseguimos uma, para o saudoso Rodrigo Huk. Sim, um pequeno site conseguiu estar nos Jogos Olímpicos, algo que me deixou extremamente orgulhoso.

Mas no meio disso tudo, meu pai, que havia sido diagnosticado com cancer em 2013, e curado, teve metastase no começo de 2016, o que deixou tudo muito complicado. Ir para os Jogos no meio dessa situação dificil. Mas ele não me impediu de ir para o Rio, fui, mas muito preocupado.
Cobri a cerimônia de abertura ainda em Fortaleza. Virei a noite direto!! Saí de casa por volta de 2h da manhã, dei um abraço no meu pai e fui para o aeroporto. Chegando no Rio, a primeira surpresa: encontrei o amigo de longa data Gustavo Rodrigues, que na época trabalhava para a seleção feminina de futebol da China e tinha chegado de Caxias do Sul. Fomos juntos para o Méier, onde ele ficou por um dia.
A redação do site foi no Méier, que era onde ficava a casa do Marcos Antônio, que está até hoje no site. Felipe Andrade (de Duque de Caxias) e o Huk (de Ponta Grossa – PR) também ficaram lá. Foi caótico, mas foi muito legal, e tinha a mascote, o doguinho Mike, que era muito arteiro.

Foram dias maravilhosos. Assistir desde o hóquei sobre a grama, o badminton, o handebol, o polo aquático entre tantos outros!! Também encontrei com jornalistas britânicos já amigos de longa data, como Ollie Williams e Nick Hope, ambos na britânica BBC. Outra pessoa fantástica que já conhecia online e encontrei off foi o Coach Alex Pussieldi, em um dia de eliminatórias do wrestling. Provou ser a pessoa espetacular que é.
Claro, como esquecer que vi Usain Bolt ao vivo!!! Eram as baterias preliminares dos 100m, mas quem se importa?
Mas pensava muito no meu pai. O medo de acontecer algo durante a minha estadia no Rio era real, mas tive que me manter forte. Por mim e por ele.
Também dei umas fugas durante os Jogos..fui para o aniversário do Mateus Machado (que foi membro do Surto) em Bangu. Também com ele assisti ao glorioso Bangu 1×1 Resende pela Copa Rio às 15h no sol agradável da Zona Oeste carioca (só que não).
Enquanto isso, cobriamos os eventos no então Twitter e com posts no site. Os dias foram intensos, como o ouro do Thiago Braz em um temporal no Engenhão e a vitória espetacular do Brasil sobre a França por 3×2 no vôlei masculino, que salvou o time da eliminação na primeira fase. Os dois eventos simultâneos!!
Outro momento interessante foi assistir ao pódio do Diego Hypolito e do Nory em um self service no Méier, almoçando com o Rodrigo Huk.

Vi duas medalhas brasileiras ao vivo. O bronze da Poliana Okimoto na maratona aquática, que na verdade foi durante o café da manhã em que eu e o Felipe estavamos, já que no momento ela terminou em 4º lugar, mas subiu ao pódio por causa de uma desclassificação. E o Isaquias Queiroz nos C1-200m da canoagem de velocidade, em que quase perdi a prova por causa da filas enormes na Lagoa Rodrigo de Freitas para entrar no local de disputa.
Em termos de final, testemunhei também a ginástica de trampolim e o sevens feminino. Inclusive, o sevens foi muito bom, provando que o retorno do rugby aos Jogos foi um acerto.
Depois de duas semanas curtindo o melhor do mundo olímpico, voltei pra casa na véspera do encerramento. Nos despedimos com abraços e uma foto com todos do site, incluindo o Mike.
Voltei pra casa e meu pai estava bem, dentro do possível. Infelizmente ele veio a óbito em dezembro de 2016.
Estar in loco nos Jogos Olímpicos no seu país é provavelmente, e será, a maior alegria da minha vida, mesmo durante um período tão dificil da minha vida.

Publicado originalmente em surtoolimpico.com.br
